“Os tempos mudaram”
uma exposição adaptar-te
Ministrada semestralmente há 9 anos na Escola de Administração de São Paulo (EAESP-FGV), o curso de Formação Integrada para Sustentabilidade (FIS), composto por estudantes de Administração Empresarial e Pública, Direito e Economia, provoca e instiga a construção de um espaço de desenvolvimento humano através de abordagens não convencionais de ensino, como a transdisciplinaridade e a Teoria U, de Otto Scharmer (MIT). A disciplina propõe dois projetos concorrentes e complementares. No projeto de Si Mesmo, os/as estudantes percorrem uma intensa jornada pessoal de autoconhecimento, entendendo seu lugar diante as complexidades do mundo contemporâneo e explorando sua potência enquanto agentes de transformação. Simultaneamente, há o projeto Referência, que busca fomentar o espírito investigativo e criativo no processo de aprendizagem, lidando com um desafio único a cada edição da disciplina. A correlação entre estes projetos faz emergir a integração do grupo, que é pautada em respeito às diversidades e vivências pessoais de cada participante, tal como a construção de uma identidade coletiva gerada – e regenerada – diariamente. Do processo todo, desenvolveu-se o grupo Adaptar-te, e dele, esta exposição.

O Projeto Referência da edição do FIS-19 trata do tema da urgência que a agricultura brasileira tem de se adaptar frente às mudanças climáticas. Revelar tal necessidade quer dizer localizar a humanidade contemporânea na Era do Antropoceno: à influência humana impacta o ecossistema e este, nessa conversa, irá responder. Não muito serena, a resposta virá por meio de variadas mensagens, sinais e elocuções. Da alteração do regime de chuvas ao aumento da frequência e intensidade de eventos extremos, as mudanças climáticas significam um conjunto de transformações intensas no estado do clima. O IPCC/ONU concluiu não apenas que as mudanças climáticas são reais, mas também que o ser humano é o principal responsável por esse fenômeno. Assim, desenvolver uma consciência sobre a questão significa responsabilizar-se por um desenvolvimento sustentável- e viável – da humanidade. Significa, também, saber da urgência de se criar mecanismos para diminuir a vulnerabilidade de todos aqueles que são e serão afetados.
Considerada como motriz da economia brasileira desde seu nascimento, a agricultura tem destaque nos principais debates e produções científicas sobre mudanças do clima, uma vez que esta será fortemente afetada pelas transformações antropogênicas, trazendo impactos diretos à mesa e ao bolso do povo brasileiro. Em sua diversidade de biomas, produção e povos, encontramos um ator chave para a cadeia da produção alimentar, que está fortemente refém das mudanças climáticas, as quais afetarão ainda mais sua produção, condições de vida e atividade econômica: o agricultor. Sendo este um Agente responsável por grande parte da produção de frutas, verduras e legumes que estão diariamente dispostos nas casas brasileiras, seja na zona urbana, tal como rural. A falta de amparo técnico, a deficiência em políticas públicas e o desconhecimento dos impactos que as mudanças climáticas causam – e causarão – neste setor potencializam a vulnerabilidade do agricultor neste cenário de incertezas, visto que este depende intimamente de boas e previsíveis condições de clima para produzir e sobreviver. É por isso que esta exposição faz uma chamada coletiva: a adaptação é urgente.

Considerando a linguagem artística como a linguagem que traduz o mais claro e o mais obscuro de um determinado tema, utilizamos sua potência para inflamar a percepção da urgência da adaptação da agricultura brasileira frente às mudanças climáticas. Dessa forma, a proposta da exposição é construir um espaço de localização do sujeito urbano em relação à cadeia produtiva, apresentar as diferentes realidades regionais da agricultura brasileira, escancarar as nossas vulnerabilidades enquanto sociedade e, por fim, revelar a necessidade de nos adaptarmos frente aos eventos climáticos que já estão presentes – e irão se intensificar.